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CAPTULO 22 
EMPREGO DO PRONOME 
PRONOMES PESSOAIS 
FORMAS RETAS 
1) So formas retas ou subjetivas, isto , empregam-se como sujeitO 
1 PESSOA 2 PESSOA 3 PESSO 
eu tu, voc ele, eh 
ns vs, vocs eles, ei 
O pronome voc pertence realmente  2 pessoaS, isto , quela DE quem se fala, posto que o verbo com ele concorde na forma da: 
pessoa. Tal ocorre em virtude da origem remota do pronome (vosSA merc). A concordncia faz-se com o substantivo merc, como EM tratamentos de reverncia (Vossa 
Majestade, Vossa Excelncia, Vos Senhoria, etc.);  com os substantivos e no com o possessivo (voss que se estabelece a concordncia. 
Saiba V. Ex... V. S resolver. 
2) Estas mesmas formas empregam-se como predicativo: 
"Nas minhas terras, o rei sou eu." (HERCULANO) 
"Quem me dera ser tu." (HERCULANO) 
3) Tu e vs podem ser vocativos: 
" tu, que vens de longe!  tu, que vens cansada!" (ALcEuW 
MOSY) 
"Deixai,  vs que entrais, toda esperana." (DANTE - Tra 
do baro de Vila da Barra) 
316 
FORMAS OBLQUAS 
4) So formas oblquas (objetivas diretas): 
l PESSOA 2 PESSOA 3 PESSOA 
me te o,a 
nos voc, o, a os, as 
vos se (singular e plural, 
se (singular e plural, exclusivamente 
exclusivamente reflexivo) 
reflexivo) 
Exemplificao: 
Chamaram-me. Convidaram-nos. (1 pessoa). 
Estimo-te. Respeito-vos. (2 pessoa). 
Acompanho voc(s): acompanho-o(s). Voc (s) se contradiz(em). 
(2 pessoa). 
Diga-lhe que irei visit-lo(s). Eles se enganam. (3 pessoa). 
5) So formas oblquas (objetivas indiretas): 
a) tonas: 
me te lhe (a ele, a ela) 
izos lhe (a voc) lhes (a eles, a elas) 
vos se (singular e plural, 
lhes (a vcs) exclusivamente 
se (singular e plural, reflexivo)* 
exclusivamente 
reflexivo) 
Exemplificao: 
- Quer falar-me? Mandara-nos as cpias. (1 pessoa). Obedeo-te. Recomendo-vos silncio. (2 pessoa). 
Fique sossegado; aconselho-lhe que no responda. (2 pessoa). Voc se deu pressa em rever as provas. (2 pessoa). 
Mande-lhe recado. Ele(s) se reserva(m) o direito de intervir. (3 pessoa). 
* SE' com funo de dativo - 'O emprego do reflexivo se com funo de dativo, isto , como complemento indireto, raro nos cIssicos, j se vai generalizando, apesar 
das censuras e dos reparos dos gramticos. Segue destarte o reflexivo se a tendncia dos outros pronomes oblquos tonos - me - te - nos - vos, que tm em portugus, 
ainm da funo de objeto direto, como acusativos, a de objeto indireto; arrogouse o direito - arrogou a si o direito." (Clvis Monteiro, Nova antologia brasileira, 
12 cd., Rio de Janeiro, F. Briguiet, 1957, p. 265). 
317 
b) Tnicas (sempre regidas de preposio): 
mim ti, voc 
ns vs, vocs 
Exemplificao: 
Venham a mim. Venham a ns. 
Irei a ti. A vs irei. 
Tudo direi a vocs. 
Na linguagem arcaica, era freqente o uso das formas tnicas 
objeto indireto em funo objetiva direta: 
"Manda o teu messegeiro 
do cu alto, Sprito Santo, 
que esclarea e alumee 
mim que non mereo tanto, 
e dos imigos me livre 
por non receber quebranto." (DOM DUARTE) 
Na evoluo da lngua foi-se abandonando o emprego das form 
tnicas como objeto direto, a no ser quando regidas da preposi 
a, como no vulgarizado verso de Cames: 
"Nem ele entende a ns, nem ns a ele." 
CONOSCO E COM NS (PRPRIOS, ETC.) 
6) Aglutinadas  preposio com, apresentam-se num vocbulo nic comigo, contigo, conosco, convosco, consigo (este exclusivamen 
reflexivo). 
Se estes pronomes forem ampliados por determinativos - outro 
todos, mesmos, prprios, dir-se- com ns, com vs, e no conosc 
comi vosco. 
com ns mesmos, com vs prprios, com ns outros. 
7) So erros comuns dar forma oblqua ao pronome sujeito de verI no infinitivo: 
para mim fazer... (em vez de: para eu fazer) 
e dar forma reta aos pronomes mim e ti depois de preposio: 
Tudo ficou resolvido entre mim e ti devemos dizer. * 
* Fatos da linguagem coloquial menos cuidada, as construes do tipo 'para mii fazer' e 'entre eu e tu' no se fixaram, contudo, na lngua culta. 
318 
J no exemplo: 
Entre eu ir agora e voltar amanh... 
o caso  diverso: no  o pronome que est regido pela preposio, mas a frase toda - ir agora eu. 
SI E CONSIGO 
8) Cumpre ter sempre em vista o carter reflexivo dos pronomes si e consigo para evitar erros muito generalizados, alis tolerados, se no defendidos por gramticos 
lusitanos. E condenvel o emprego de si e consigo em construes como estas: 
Quero falar consigo. Trouxemos um presente para si. Isso no 
depende de si. Ele ir entender-se consigo. 
Tais pronomes - reflexivos - so de legtimo emprego quando 
se referirem ao prprio sujeito da orao: 
E criatura egosta; s pensa em si. Leve consigo quanto  seu. Pense em si, pense nos seus. Vive l consigo, sem ningum que dele cuide. 
SUJEITO DE INFINITIVO 
9) Podem os pronomes oblquos o (a, os, as), me, te, se, nos, vos desempenhar a funo de sujeito de um infinitivo, em conexo com um dos verbos fazer, deixar, mandar, 
ouvir e ver, aos quais servem cumulativamente de objeto direto: 
Mandei-o entrar 
No exemplo, o pronome o acumula a funo de sujeito de entrar 
com a de objeto direto de mandei. 
Do mesmo modo: 
- Fez-me sentar. Deixe-nos pensar. 
E o que os latinos chamavam accusatjvus cum infinitivo, ou seja, uma palavra em acusativo (caso do objeto direto), servindo de sujeito 
a um infinitivo. 
"Esta sintaxe  latina, e, com frase progressiva, pode estar o verbo em gerndio ou infinito precedido de a. Exemplos: a) Deixe-as dorinindo, ou a dormir; b) Quero-as 
danando ou a danar; c) Ouvi-a cantando ou a cantar; d) Via-a querendo chorar. " * 
* Jos Oiticica, ob. cit., p. 222. 
319 
REFLEXIVIDADE, APASSIVAO, RECIPROCIDADE 
10) So reflexivos os pronomes pessoais tonos (objeto direto e indireto) quando pertencem  mesma pessoa do sujeito da orao: o agente e o paciente so um s, 
porque o sujeito executa um ato reversivo sobre si mesmo: 
Os empregados se despediram. 
Eles se arrogam o direito de vetar. 
11) Quando, porm, o ato no emana do sujeito, que  apenas o paciente, temos, no pronome que o representa, a partcula apassivadora: 
Despediram-se os empregados faltosos e admitiram-se alguns dos 
antigos candidatos. 
12) So recprocos os pronomes que exprimem fato ou ao mtua, recproca: 
Eles se abraaram. 
E bvio que so sempre do plural: 
Ns nos compreendemos. Vs vos compreendeis. Eles se compreendem. 
13) H verbos a que se ligam pronomes tonos, inseparveis, que se tornam partes integrantes deles, como suicidar-se, condoer-se, apiedar-se, ufanar-se, queixar-se, 
vangloriar-se, etc. So pronomes sem funo, fossilizados. 
14) Para prevenir possvel falta de clareza quanto  compreenso 
da reflexividade, ou da reciprocidade, pode-se juntar certos apostos 
esclarecedores: 
a) Reflexividade: a si mesmo - a si prprio. 
b) Reciprocidade: um ao outro - reciprocamente - mutuamente. 
Comparem-se: 
Como penitncia, os monges se aoitaram a si prprios. 
Como penitncia, os monges se aoitaram um ao outro. 
320 
____ 
EMPREGO ENFTICO 
15) De emprego enftico, anote-se a duplicao dos pronomes nos seguintes e interessantes casos: 
a) Na construo anacoltica 'eu me parece', ou 'eu parece-me', que  um idiotismo romnico: 
"Eu me parece que viverei pouco." (JOO RIBEIRO) 
b) Quando os possessivos seu(s), sua(s) so seguidos dos genitivos dele(s), dela(s): 
"Sara aceitava com opressivo silncio estas deliberaes, e no ousava perguntar a Jorge qual seria depois o seu destino dela." 
(CAMILO CASTELO BRANCO) 
E coisa anloga encontra-se no Graal - o possessivo reforado por orao adjetiva: 
"(...) falou dos seus pecados que fez...' 
"Aquela sintaxe  clssica e pura. Nesse uso no h pleonasmo. E um recurso com que a lngua portuguesa supre a falta do pronome romnico loro, no francs leur: 
leurs enfants, os seus filhos deles. No castelhano antigo existiu a forma lures' ' . * 
c) Quando uma forma tona se revigora com a correspondente tnica, regida esta de preposio: 
"Qe me importa a mim a glria?" (HERCULANO) 
 necessrio que nos demos a Ele, se te quisermos seguir a ti." (FREI HEITOR PINTO) 
16) Como segundo termo de uma coinpara2o, o pronome pessoal assume a forma subjetiva: 
Ele  mais alto do que tu. Falaste menos do que eu. 
Entre os quinhentistas e seiscentistas no rareiam, todavia, exemplos em que os pronomes se apresentam na forma oblqua, tnica,  
maneira do francs moderno: 
"(...) tinha mais experincia que ti." (S DE MIRANDA) 
"Porque sois maior que mim." (CAMES) 
* Joo Ribeiro, ob. cit., p. 175. 
321 
gs 
COMBINAO DE CASOS PRONOMINAIS 
17) D-se a combinao dos casos pronominais segundo as norm seguintes:* 
a) As formas me, te, nos, vos, quando so dativos, e, ainda, lhe( que sempre o , associam-se a o(s), a(s,), que so sempre acusativc 
mo (s), ma (s), to (s), ta (s), no-lo(s), no-la(s), vo-lo(s), vo-la ( lho(s),lha(s) =lhe+o(s),lhe+a(s),lhes+o(s),lhes+a( 
Neste ltimo caso - lho(s) = lhes + o(s) - observa-se a atrol da desinncia do plural no pronome lhes: vestgio da lngua anti onde este pronome podia ser invarivel 
em nmero. 
A tais associaes correspondem outras, com o objeto indireto e presso pelas formas tnicas preposicionais. Pode-se, pois, dizer: 
"Ningum mo disse", ou "Ningum o disse a mim", ou "Ni gum a mim o disse". 
No se pode empregar, na mesma frase, os pronomes se e o os, as), como neste exemplo: 
"No se o pde ouvir." 
Emende-se: "No se pde ouvir" - ou: "No pudemos ouvi-lo 
b) Estes mesmos pronomes (com exceo de lhe, lhes) quando s acusativos, excluem outra encltica: o objeto indireto toma ento a forr tnica correspondente: a mim, 
a ti, a ns, a vs, a ele, a ela, a eh a elas. 
Funda-se esta regra na convenincia de evitar-se a ambigidac "que facilmente se produz na combinao de casos indistintos, cor me-te, te-me, vos-me, formas destitudas 
de diferenciao flexional". 
No se devem, portanto, imitar exemplos como este do padre 1 nuel Bernardes, citado por Mrio Barreto: 
"Hoje, Astio carssimo, se cumprem dezassete anos que De te trouxe a mim, e te-me entregou, para que a Ele te entregas guardei-te com a Sua ajuda santo e imaculado; 
e queres que um ponto exponha a risco de perder-se o trabalho de tantos anos (Nova floresta, Lisboa, 1711, vol. 3, p. 423). 
O primoroso estilista quis, decerto, ftigir  repetio... Deus te trou a mim, e te entregou a mim... 
* Tais combinaes tm pouco uso no Brasil. 
* * Mrio Barrem, Novos estudos da lngua portuguesa, cit., p. 135. 
322 
No se dizem frases assim: 
Recomendaram-te-me, e sim: Recomendaram-te a mim. 
Apresentaram-me-vos, mas: Apresentaram-me a vs. 
ELIPSE DO SUJEITO PRONOMINAL 
18) Por serem explcitas nossas desinncias verbais,  comum a elipse 
' do sujeito pronominal: 
"- Queres talvez que v acordar Carlos, para que me faa o 
favor de aceitar minhas prendas?" (JLIO DINIS) 
Quando o sentido no distingue, evite-se a ambigidade, pela expresso do sujeito; tal se d entre as formas da 1 e 3 pessoas do singular do imperfeito, e do mais-que-perfeito 
do indicativo; futuro do pretrito; presente, imperfeito e futuro do subjuntivo, e infinitivo pessoal: lia, lera, leria, leia, lesse, ler. 
A nfase, o vigor da expresso, freqentemente querem o sujeito 
expresso: 
"Religio divina, misteriosa e encantadora, tu, que dirigiste meus passos na vereda escabrosa da eloqncia, tu, a quem devo todas as minhas aspiraes, tu, minha 
estrela, minha consolao, meu nico refgio, toma esta coroa..." (MONT'ALVERNE) 
VALOR SINGULAR DE 'NS' 
19) Ns - pronome plural emprega-se no singular: 
a) Na expresso de autoridade soberana, ou de poder majesttico (reis, papas, bispos): 
Ns, el-rei, fazemos saber... 
Ns, durante o nosso Pontificado... 
b) Por expresso de modstia, ou quando no se deva declarar a pessoa (redatores, profissionais da imprensa), e, ainda, na linguagem 
de vendedores comerciais: 
Queremos deixar bem clara a nossa opinio. 
Procuramos ouvir o diretor do departamento. 
No temos este artigo... 
323 
1 
PRECEDNCIA ELEGANTE 
20) Quanto  colocao ou precedncia dos pronomes da fras de boa norma, no propriamente gramatical, mas de distin elegncia, dar prioridade  primeira (eu), quando 
se trate de algi coisa menos agradvel, ou que importe responsabilidade, ou, au nas manifestaes de autoridade e hierarquia; em caso contrrio, modstia e delicadeza, 
a primeira pessoa, a que fala, coloca-se ltimo lugar: 
Eu, o Roberto e outros demos causa a esse lamentvel incidc 
Gustavo, seu primo e eu estamos bem classificados. 
PRONOMES POSSESSIVOS 
1) Os pronomes possessivos relacionam-se com as pessoas gi ticais: 
eu- meu(s) - minha(s) 
tu- teu(s) - tua(s) 
ele (voc)- seu(s) - sua(s) 
ns- nosso(s) - nossa(s) 
vs- vosso(s) - vossa(s) 
eles (vocs)- seu(s) - sua(s) 
2) Concordam os possessivos, em gnero e nmero, com a possuda; e em pessoa, com o possuidor: 
Nossos trabalhos. 
Vossa delicadeza. 
3) Os possessivos, quando ao lado de substantivo, podem vir cedidos, ou no, de artigo: 
"O som que tua voz lmpida exala, 
Grato feitio mgico resume: 
A frase mais vulgar, na tua fala, 
Colorido matiz, brilhando, assume." (TEFILO DIAS) 
"Busca asilo a teus ps teu pobre filho. Mostra-me o redentor e obscuro trilho 
Que leva as almas ao teu seio amado." (B. LopEs) 
324 
Ficando subentendido o substantivo, no se dispensar o artigo em frases como esta: 
- "E viu um rosto que era o seu." (MACHADO DE ASSIS) E um verso de A mosca azul, o delrio do pole, que a si mesmo 
se via rei de Caxemira... 
Em frases de construo paralela, a supresso do artigo d-lhes significao diversa: 
Entrou na casa que era a sua. 
Entrou na casa que era sua. 
No primeiro exemplo, o possessivo indica, entre a pluralidade das 
casas, a que lhe pertencia; no segundo, afirma-se, apenas, a propriedade. 
" noite, como que raivando, levas, 
Com o teu, meu corao por essas trevas: 
O teu - clera, o meu - doce reclamo." (ALBE1rO DE OLIvEIRA) 
POSIO DOS POSSESSIVOS 
4) Os possessivos, em regra, se antepem aos nomes; em poesia, por imposio de rima e ritmo, e em frases enfticas, ou de linguagem 
de caractersticas prprias,  freqente encontr-los pospostos: 
"Mas vem! Os hinos meus, as canes minhas, 
Toda a minh'alma em versos te festeja." (ALBERTO DE OLIVEIRA) 
"A pena no acode ao gesto seu". (MACHADO DE Assis) 
"Tinha um filho e Deus levou-lho. Altos juzos seus!" (REBELO 
DA SILVA) 
Exemplos, em vocativos: 
"- Filho meu, onde ests?" (GONALVES DIAS) 
"E vs, Tgides minhas..." (Os Lus(adas, 1, 4) 
UM CASO DE CONCORDNCIA 
5) Um s possessivo pode determinar vrios substantivos, em concordncia com o que lhe esteja mais prximo: 
Nossa culpa e arrependimento. 
Teus anseios e esperanas. 
325 
AMBIGIDADE POSSVEL 
6) Recomenda-se o emprego moderado dos possessivos, tani desnecessrios, se no prejudiciais  clareza da frase. Suprimii sessivos dispensveis  dar conciso e 
elegncia ao que se exp 
Pedrinho vai  escola com o (seu) irmo. Leva sempre os 
livros e a (sua) merenda. 
Substituem-nos, excelentemente, os pronomes oblquos - qi na funo de "objeto indireto de posse". 
"Pois essa criatura est em toda a obra: 
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto; 
E  nesse destruir que as suas foras dobra." (MACHADO DE 
"Morre! morrem-te s mos as pedras desejadas." (OLAvo 13 
7) O possessivo seu (seus, sua, suas) pode dar causa a ambigi 
Vi Maria com o seu pai,  porta de sua casa. Evitando a construo viciosa: 
Vi Maria com o pai,  porta da casa deles. 
8) Sua, Vossa assumem feio estereotipada em expresses d tamento: Vossa Excelncia (em tratamento direto), Sua Excelnci referncia): 
A Vossa Excelncia remeto, nesta data, os dados que recollh, 
Estive com Sua Senhoria em seu escritrio, etc. 
NOSSA SENHORA 
9) Nossa Senhora  nome; por isso determina-se a expressi Minha Nossa Senhora! 
Ganhei uma Nossa Senhora igual  sua. 
PRONOMES DEMONSTRATIVOS 
1) O emprego dos pronomes demonstrativos este, esse, aquele, isso, aquilo, condiciona-se ao lugar em que esto os seres ou c cujos nomes tais demonstrativos determinam. 
326 
Este, isto, para o que est prximo da pessoa que fala (eu): 
Tire estes livros daqui. Leia isto que acabo de receber. 
Esse, isso, para o que est mais afastado; freqentemente prximo 
da pessoa com quem se fala (tu, voc, etc.): 
Lendo os autores: 
"Pesa-me esta brilhante aurola de nume... 
Enfara-me esta azul e desmedida umbela..." (MACHADO DE Assis) 
- "Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho, Dize, quem foi que to ensinou?" (MACHADO DE Assis) 
"Quis transportar ao verso doce e ameno 
As sensaes de sua idade antiga, 
Naquela mesma velha noite amiga," 
"S lhe saiu este pequeno verso: 
'Mudaria o Natal, ou mudei eu?'" (MACHADO DE Assis) 
"O corao que bate neste peito, 
E que bate por ti unicamente..." (Lus GUIMARES) 
"Nesse louco vagar, nessa marcha perdida, 
Tu foste, como o sol, uma fonte de vida." (OLAVO BILAC) 
"Eu sou como aquela fonte 
Que vai, to triste, a chorar." (VICENTE DE CARVALHO) 
"Mas, senhores, se  isso o que eles vem (os maus polticos), 
ser isto, realmente, o que ns somos? O Brasil no  isso. E 
isto. O Brasil, senhores, sois vs." (RUI BARBOSA) 
No h, entretanto, muito rigor na distino de este e esse, em virtude da predominncia dos seus valores estilsticos sobre os seus valores gramaticais. 
2) Estas noes se aplicam tambm  distncia no tempo, e a referncias ao que se mencionou na extenso de um trecho, de uma 
obra: 
Naquele tempo, dizia Jesus a seus apstolos... 
Nessas observaes, que h pouco lemos... 
"E nessa hora em que a glria se obumbrava..." (GONALVES 
DE MAGALHES) 
327 
DLTICOS E ANAFRICOS 
Observando os exemplos citados, verificaremos que os demonstr 
tivos tm aplicao dupla: 
a) Indicam proximidade, ou afastamento, no espao e/ou no temp em relao s pessoas do colquio (emprego ditico), como em: 
"O corao que bate neste peito, 
E que bate por ti unicamente..." (1 pessoa) 
"- Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,/ Dize, que 
foi que to ensinou?" (2 pessoa) 
b) Referem-se ao que ainda vai ser enunciado, bem como ao q j foi mencionado no texto (emprego anafrico): 
"S lhe saiu este pequeno verso: 
Mudaria o Natal, ou mudei eu?" 
Depois de haver descrito a famosa batalha do Salado, em que o i 
Afonso IV, de Portugal, desbaratou os mouros de Granada, Cami 
inicia assim a estrofe 118 do Canto III de Os Lusadas: 
"Passada esta to prspera vitria," (isto , a vitria de Salad  qual acabava de referir-se - acontecimento, portanto, j cor tante no texto). 
POSPOSIO DOS DEMONSTRATIVOS 
3) Pospostos aos substantivos, os demonstrativos comunicam nf  frase, ou ampliam a idia de recapitulao que o substantivo enceri 
Foram momentos de elevada inspirao, de sentimento e bele um osis para o esprito fatigado: momentos esses que no esquecem. 
So constantes, na prova, as falhas, os enganos, as omisses vcios estes que a desfiguram e afeiam. 
4) As formas compostas, de emprego reforativo, no so de no preferncia brasileira: 
estoutro, essoutro, aqueloutro. 
328 
" 
TAL 
5) Tal  demonstrativo quando em significao anloga a de este, isto, esse, isso, aquele, aquilo: 
Tais expresses no parecem vernculas. No disse tal. O tal competidor. 
"Tal soldado sopesa a dava de madeira; 
Tal, que a Custo sofreia a clera guerreira, 
Maneja a bipenata e rude machadinha, 
Este,  ilharga pendente, a rtila bainha 
Leva do gldio. Aquele a poderosa maa 
Carrega..." (OLAvo BILAc) 
MESMO E PRPRIO 
6) Mesmo, prprio, so demonstrativos de identidade e reforo: 
Eu prprio (ou prpria) falei  mesma pessoa que nos tem procurado. 
"E a natureza assiste, 
Na mesma solido e na mesma hora triste, 
A agonia do heri e  agonia da tarde." (OLAvo BILAc) 
DEMONSTRATIVOS 'O(S)', 'A(S)' 
7) O(s) - pronome demonstrativo - representa: 
a) Aquele(s): 
Os que aqui se congregam... 
b) Aquilo: 
"Tudo o que punge, tudo o que devora 
O corao..." (RAIMUNDO CORREIA) 
Vs bem o sabeis. 
A - pronome demonstrativo - representa aquela: 
Ins, a "que depois de ser morta foi rainha." 
8) Ainda sob o feitio neutro, o exerce a funo de predicativo e de objeto direto: 
Capazes e enrgicos eles o so. 
Poderiam castig-los, mas no o quiseram. 
329 

PRONOMES RELATIVOS 
FUNES DO 'QUE' 
1) Que  pronome de referncia a pessoas, ou coisas, e corrc quanto ao sentido, a o qual, a qual, os quais, as quais, emh 
sempre estes possam substituir aqueles, e vice-versa. 
Alm de elemento de ligao oracional, exerce funo no 
orao adjetiva: 
"Zagais do monte, (que um lindo 
Rebanho estais a guardar,) 
Essa emps da qual vou indo, 
Acaso a vistes passar?" (RAIMUNDO CORREIA) 
Que (vs) tem funo subjetiva. 
"Essa felicidade (que supomos,) 
Arvore milagrosa, (que sonhamos 
Toda arreada de dourados pomos,) 
Existe, sim:..." (VICENTE DE CARVALHO) 
Que (felicidade): objeto direto. 
Que (rvore milagrosa): objeto direto. 
2) A variedade das funes sintticas de que (relativo) imj respondente multiplicidade de preposies: 
A casa a que vou. Os elementos com que conto. Os reci que disponho. No h por que desistir do intento. As ra que se estribam. 
3) Nas oraes adjetivas em que o pronome que se refere ac da principal, o verbo fica na pessoa do antecedente: 
No fui eu que o chamei. Foi voc que o convidou. Se 
que o recebereis. 
4) Se no for para efeitos literrios, de nfase, reforo, i ritmo, etc., no se repita o relativo em oraes adjetivas qu 
ordenam. 
"Um sino, um rio, um pontilho e um carro De trs juntas hovinas que ia e vinha Rinchando alegre, carregando barro." 
330 
"Havia a escola que era azul e tinha 
Um mestre mau, de assustador pigarro..." (B. LOPES) 
"Eu nada mais sonhava nem queria 
Que de ti no viesse, ou no falasse... "(ADELINO FONTOURA) 
5) Que refere-se a nome ou pronome: 
As boas palavras que me disse. 
Aquilo que lhe disseste. 
O que nos afirma. 
Os que estiveram contigo. 
6) Em certas frases, de sentido aposto explicativo, o que equivale a e isto: 
Todos estavam na sala, o que facilitou a chamada. 
7)  de melhor estilo a preferncia de que a qual, que trai a preocupao popular de clareza, s vezes deselegante: 
As sesses a que (s quais) assisti. Os motivos por que (pelos 
quais) me afasto. Os dados de que (dos quais) dispunha. 
Entenda-se, porm, que nem sempre a substituio  recomendvel, 
ou mesmo possvel: 
Muitos dos candidatos, alguns dos quais adolescentes, no tiveram foras para realizar a prova. As disposies segundo as quais se regem os concursos... 
8) Pode omitir-se o antecedente de que: 
No vejo (nada) que reclamar. No teve (coisa) que dizer. 
9) H de se distinguir por que e porque. 
Por que (pelo qual, pela qual, etc.)  pronome preposicionado: 
So estes os motivos por que (pelos quais) no compareceu. 
Porque  conjuno causal, advrbio relativo, ou interrogativo. 
10) Construes h em que o relativo, obliterada a sua funo prpria, aparece fossilizado: 
Tenho que sair imediatamente. 
li) Na expresso idiomtica -  que - temos exemplo, entre outros, do emprego da partcula que sem funo lgica, a servio da nfase: 
Ns ( que) erramos. Vocs ( que) acertaram. 
331 
12) O qual, a qual, os quais, as quais, so formas mais explcitas, sempre a servio do nome: 
Estas divergncias para as quais peo a sua ateno... 
FUNES DE 'QUEM' 
13) Quem - embora tenha por antecedente, no portugus atual, propriamente a pessoas, podia tambm referir-se a coisas. Exemplos de 
Cames: 
"Cidade nobre e antiga, a quem cercando 
O Tejo em torno vai, suave e ledo." (IV, 10) 
" glria de mandar,  v cobia 
Desta vaidade a quem chamamos Fama!" (IV, 95) 
"Nomes com quem se o povo nscio engana." (IV, 96) 
14) Representa antecedente no singular ou no plural, quer claro, quer subentendido: 
"Daqueles de quem sois senhor supremo." (OsLus(adas, 1, 10) 
"E outros em quem poder no teve a morte." (1, 14) 
"Mestre querido! Vivers enquanto 
Houver quem pulse o mgico instrumento, 
E preze a lngua que prezavas tanto!" (OLAvo BILAc) 
15) Quem pode equivaler a ningum que: 
"Zombam. No h quem dele se condoa!" (RAIMUNDO CORREIA) 
Em tal caso, vem precedido de negao. 
16) Quem, conforme a funo que exera, pode ser acompanhado de qualquer das preposies: 
A quem - Com quem - De quem - Por quem - etc. 
Evite-se, entretanto, o emprego de sem quem, desagradvel ao ouvido; sem o (a) qual -  a expresso conveniente. Encontraremos exemplos contrrios: 
" Verbo, por quem tudo foi feito, sem quem nada foi feito!" (Solilquios de santo Agostinho, trad. do padre Sena Freitas, Porto, 1944, p. 31). 
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FUNES DE 'CUJO' 
17) Cujo (a, os, as)  pronome adjetivo analiticamente desenvolvido em do qual, da qual, dos quais, das quais, de quem, de que: 
"(...) e cuja agreste ramaria 
No atravessa nunca a luz do dia." (OLAvo BILAc) 
(... e a ramaria da qual [floresta] no atravessa nunca a luz do dia). "Essa em cujo encalo eu ando, 
"No na vistes vs passar?" (RAIMUNDO CORREIA) (Essa no encalo de quem eu ando). 
18) Concorda em gnero e nmero com o substantivo subseqente, embora se refira a um substantivo antecedente: 
Esse rapaz, cuja inteligncia tanto gabas... 
(... a inteligncia do qual...). 
19) No h1 crase no regime preposicional de cuja (s), por isso que o relativo no pode ser determinado: 
Homens a cuja probidade tudo confiamos. 
Tribunal a cujas decises devemos respeito. 
FUNES DE 'ONDE' 
20) Onde  pronome-advrbio, geralmente locativo; tem sentido equivalente a lugar em que, no qual, etc.: 
"Leva-me contigo at mais longe, a essa 
Fmbria do horizonte onde te vais sumindo 
E onde acaba o mar e de onde o cu comea..." (VICENTE DE 
CARVALHO) 
"Existe sim [a felicidade]: mas ns no a alcanamos Porque est sempre apenas onde a pomos 
E nunca a pomos onde ns estamos." (VICENTE DE CARVALHO) 
Pode empregar-se com o valor de simples relativo: 
As dedues por onde (pela quais) chegamos a esses resultados... 
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21) No distiniiram os clssicos entre onde e aonde: 
"Se l no assento etreo onde subiste" (CAMES) 
"Nize? Nize? Onde ests? Aonde?Aonde?" (CLuDI0 MAN 
DA COSTA) 
A linguagem culta moderna insiste em distingui-los: Onde expi 
estabilidade; o lugar em que: 
"Quem sabe? Esto prximas plagas 
Onde aportar por uma vez." (AUGUSTO DE LIMA) 
"Ningum saiba onde eu moro, onde tu moras." (Lus DELF "L onde nasce o tomilho, 
onde h fontes de cristal; 
l onde viceja a rosa, 
onde a leve mariposa 
espaneja  luz do sol." (Joo DE LEMOS) 
Aonde indica movimento, lugar a que: 
"Que os leve aonde sejam destrudos, 
Desbaratados, mortos ou perdidos." (CAMES) 
Pode, ainda, ser precedido das preposies de, para, por: 
"Quem me mandou a esta viagem? 
Donde parti? Quando embarquei?" (AUGUSTO DE LIMA) 
"Escada de Jac sero teus raios 
Por onde asinha subir minh'alma." (FAGUNDES VARELA 
PRONOMES INTERROGATIVOS 
1) So interrogativos os pronomes que do expresso s frase pergunta direta, ou indireta: 
"- Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de r 
irmos?" (JOS DE ALENCAR) 
"Que gente ser esta? em si diziam; 
Que costumes, que lei, que rei teriam?" (CAMES) 
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Perguntam quem os acompanhar. Quer saber quantos ficaro. Indagaram que motivos h para desistir. 
2) Que - em funo substantiva - corresponde a que coisa: 
Que h? Que dizes? 
3) So invariveis que, quem; flexionam-se qual (quais), quanto (quant-os, a, as). 
4) Que, qual - interrogativos - no so precedidos de artigo: 
Qual preferes? Que novas trazeis? 
5) Acentue-se qu, quando tnico: 
Voltar aqui, para qu? 
- Fale com clareza, sem o qu ningum o entender. 
6) Quem  de referncia a pessoas, ou a coisas personificadas; corresponde a que pessoa(s): 
"Quem o molde achar para a expresso de tudo?" (OLAvo BILAc) 
"Quem eram? de que terra? que buscavam?" (CAMEs) 
7) H interrogativos adverbiais: 
Quando voltaro? Onde encontr-los? Como transcorreram os 
debates? Porque est to triste? 
PRONOMES INDEFINIDOS 
ALGUM - NENHUM 
1) O primeiro, de sentido afirmativo, corresponde, quando posposto ao substantivo, ao sentido negativo do segundo: 
Alguma coisa (afirmativo). 
Coisa alguma. Coisa nenhuma. Nenhuma coisa (negativos). 
Em sentido negativo, em posposio, algum e nenhwn no Costumam pluralizar-se: 
Alguns empreendimentos. Nenhuns obstculos. (E s por exceo: 
Empreendimentos alguns. Obstculos nenhuns.) 
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"Quando, porm, no figuram na frase elementos negativos, critores mais bem apontados no dizer empregam no raro o ad algum depois do substantivo em sentenas ou 
frases assertivas" neiro Ribeiro, Seres gramaticais, Bahia, 1919, p. 329). 
E cita o mestre baiano dois exemplos de Os Lus(adas: 
"Desta gente refresco algum tomamos 
E do rio fresca gua..." (V, 69) 
"Palavra alguma* Arbia se conhece 
Entre a linguagem sua que falavam." (V, 76) 
Assim no se entende na lngua de hoje: muitos lero mal este 
sos camonianos. 
2) Alguma coisa grandiosa, alguma coisa de grandioso, ou: 
de grandioso, como props Laudelino Freire, que viu na expr alguma coisa de a influncia francesa de quelque chose de, com jetivo sempre no masculino. 
3) Nem sempre  fcil distinguir entre nenhum e nem um. Ne  de sentido menos preciso, no individua, antes generaliza a neg 
nem wn define por unidade: 
No tenho nenhum amigo (no tenho amigos). 
De tantos que tive nem um s me ficou. 
ALGO 
Algo significa alguma coisa: 
Algo de novo. 
"Vossas Mercs em que se ocupam: jogam ou fazem ad 
(JORGE FERREIRA DE VASCONCELOS) 
"Homem de algo: rico, de haveres, poderoso, cujos filhc 
davam na corte." (FREI DQMINGOS VIEIRA) 
Da fidzdgo (filho d'algo). 
 advrbio, na acepo de algum tanto, um pouco: 
"Perdeu um estribo, e fez um revs algo desairoso." (FRANC 
DE MORAIS) 
* Algumas palavras; uma ou outra palavra: reconhecem os portugueses aI palavras rabes no idioma daqueles africanos. 
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ALGUM - NINGUM - OUTREM 
1) So indefinidos invariveis, de referncia a pessoas: 
algum: alguma pessoa; 
ningum: nenhuma pessoa; 
outrem: outra pessoa (sem determinao): 
"No faas a outrem o que no queres que te faam a ti." 
Quando seguidos de adjetivos, podem estes, por concordncia silptica, mental, ter flexo feminina: 
"Algum andava ento bem saudosa." (BAios) 
"No havia ali ningum que destas coisas estivesse isenta." 
(Idem). 
"Outrem mais bem prendada." (Apud CARNEIRO RIBEIRO, Seres, p. 549). 
2) Homem - Contrariando a opinio de Carneiro Ribeiro, entende Rui Barbosa (Rplica, 485) que no se deve perder esta elegante expresso de indefinido, antiga,  
certo, mas usada por Castilho, Camilo e outros, dentre os modernos: 
"Tediosa e impolida coisa  falar homem de si mesmo." (CASTILHO) 
"Ds que homem nasce t que morre, no trata coisa de mor peso que a do seu casamento." (S DE MIRANDA) 
"Homem tem a acepo indeterminada e vaga do on no francs, e da partcula apassivadora se em nossa lngua, onde tem ainda os sucedneos de um homem, uma pessoa, 
ou simplesmente um." 
TODO e TODO O 
1) Pode-se distinguir todo (com o sentido de cada, qualquer, todos) e todo o (com a significao de inteiro): 
Todo homem tem direito ao trabalho. 
Corri toda a cidade. 
Esta distino, entretanto, no  rgida, nem assenta na tradio do 
idioma.* No se h de esquecer, por exemplo, que "no tempo de 
* Said Ali, Dtflculdades da lngua portuguesa, cit., pp. 105-16 
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Cames as expresses do tipo toda parte e toda a parte usavam-se sem diferena de sentido". 
"Entres a barra, tu com toda annada." (Os Lusadas, II, 3) (JOS MARIA RODRIGUES, notas a Os Lusadas, ed. nacional, 1931, p. LVII). 
Se neste caso o portugus moderno quer a presena do artigo, no 
se h de estranhar que, na outra construo, no se tenha to  justa 
o exemplo clssico. 
No plural  de rigor o emprego do artigo; mas no era esta a construo antiga, em que ele no figurava. 
Posposto ao substantivo, todo  qualificativo (inteiro, integral): 
O cu, o mar, a terra roda. 
2) Em vez de todos os dois, todos os trs, todos os oito... deve-se dizer: os dois ou ambos, os trs, os oito: 
Mande os oito aqui. 
Em formas adjetivas compostas, todo no varia: senhores todo-poderosos vontade todo-poderosa. 
3) Desde rodo o sempre... Para todo o sempre. 
Ainda que se leia em bons escritores: todo sempre. 
TUDO - NADA 
1) Tudo corresponde a todas as coisas; nada, a coisa nenhuma. So pronomes sintticos, do gnero neutro: 
"E quanto enfim cuidava e quanto via, 
Eram tudo memrias de alegria." (Os Lusadas, III - 121) 
E vs nada dizeis? 
2) Emprega-se indiferentemente tudo o que e tudo que; mais usada, hoje, a primeira forma: 
"Tudo o que punge, tudo o que devora 
O corao..." (RAIMUNDO CORREIA) 
3) Por seu sentido sinttico, quando resumem os elementos de composio do sujeito, tudo e nada querem o verbo no singular: 
Leituras, conversas, passeios, nada o distrai. 
Leituras, conversas, passeios, tudo o aborrece. 
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